quem ME viu, quem SE vê ...
Quem te viu, quem te vê Chico Buarque/1966 | |
| Você era a mais bonita das cabrochas dessa ala Você era a favorita onde eu era mestre-sala Hoje a gente nem se fala, mas a festa continua Suas noites são de gala, nosso samba ainda é na rua Hoje o samba saiu procurando você Quem te viu, quem te vê Quem não a conhece não pode mais ver pra crer Quem jamais a esquece não pode reconhecer |
Só começando com o Chico mesmo...
Até porque, se não fosse ter ouvido essa música hoje, provavelmente não existiria essa postagem, talvez não houvesse sequer esse pensamento!
É.. a gente muda!
E que bom!
Mas não tem como não dar uma certa melancolia em perceber que mudar encerra certos ciclos e, isso significa, em muitos casos, que uma coisa precisa dar lugar à outra, um traço de personalidade desaparece para uma nova construção e, se uma nova pessoa se elabora é porque uma outra não mais existe...
Se toda escolha é uma renúncia, nas transformações pessoais, toda mudança é uma morte.
A gente sempre vê -ainda bem!- a metade cheia do copo: o renascimento!
Afinal, se mudamos, é porque o que havia não estava satisfazendo, não correspondia ao esperado, não dava o retorno que poderia dar, não trazia felicidade, blá, blá, blá..
Por que estou eu aqui a fazer todo esse dramalhão por esse defunto infeliz que ninguém vai sentir falta afinal?!?
Talvez porque esse que foi tenha sido feliz em diversos momentos ou porque a melancolia é uma velha conhecida ou porque Chico faz isso comigo...
Então, pra não perder a temática de hoje, encerro:
| Roda-viva Chico Buarque/1967 [Para a peça Roda-viva de Chico Buarque] | |
| Tem dias que a gente se sente Como quem partiu ou morreu A gente estancou de repente Ou foi o mundo então que cresceu A gente quer ter voz ativa No nosso destino mandar Mas eis que chega a roda-viva E carrega o destino pra lá Roda mundo, roda-gigante Rodamoinho, roda pião O tempo rodou num instante Nas voltas do meu coração A gente vai contra a corrente Até não poder resistir Na volta do barco é que sente O quanto deixou de cumprir Faz tempo que a gente cultiva A mais linda roseira que há Mas eis que chega a roda-viva E carrega a roseira pra lá Roda mundo (etc.) A roda da saia, a mulata Não quer mais rodar, não senhor Não posso fazer serenata A roda de samba acabou A gente toma a iniciativa Viola na rua, a cantar Mas eis que chega a roda-viva E carrega a viola pra lá Roda mundo (etc.) O samba, a viola, a roseira Um dia a fogueira queimou Foi tudo ilusão passageira Que a brisa primeira levou No peito a saudade cativa Faz força pro tempo parar Mas eis que chega a roda-viva E carrega a saudade pra lá Roda mundo (etc.) http://www.chicobuarque.com.br/letras/rodaviva_67.htm |



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